Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Poema - Morte duma árvore

(do meu livro «Meu tipo inesquecível»)


(Querido Damasqueiro) arv.damasqueiro.gif

 

A árvore de fruta estava velha

e, em vez de a podar, que me aconselha

o jardineiro, das árvores doutor?

Cortá-la, que o seu tempo está no fim!

Eu olho para ela e para mim e pergunto-me:

- Que é feito do amor?

 

As grandes pernadas têm secado,

abre fendas no tronco, condenado

à morte. Está no fim a sua vida.

É impossível tirá-la do canteiro;

a serra corta rente e o jardineiro

mata com ácido a raiz já perdida.

 

Protegeu-me do sol, doou-me a fruta,

floriu na Primavera até que bruta

mão maldosa matou-a num repente.

Ela tinha um destino marcado;

(antecipadamente terminado)

num vaso, árvore nova está presente.

 

Doeu-me aquela morte antecipada.

Não quero ir à janela, estou chocada

e nada orgulhosa deste feito.

Sei que a vida é assim mas, se aos humanos

se fizesse o mesmo, como se aos danos

da velhice eles não tivessem direito?

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15/12/2001

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 15:35
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