Segunda-feira, 10 de Julho de 2000

Poema - Desabafo

(do meu livro «Divagando)

 

Quando a morte aí vier

e perguntar onde moro,

aponta logo o teu dedo

pra ver se não me demoro,

pra família não chorar;

por isso, teu dedo aponta,

depressa, sem hesitar.

Aponta pra mim e diz:

- Vai, corre! Vai lá buscar,

que ela está muito infeliz!

 

Diz que não a compreendem(...)

Se não estão bem, as pessoas,

será melhor que se ausentem

daqui, para parte incerta;

do outro lado da vida,

tem uma vida deserta.

Tem uma vida deserta? 

Dizem que é o "paraíso"(...)

Daqui me vou sem saudade,

rápido, sem dar por isso.

 

Vestida com uma esperança,

nos olhos, o mar imenso,

cabelos, vento-bonança...

emocional estabilidade.

Vou procurar um lugar,

Onde haja felicidade.

Onde haja felicidade!...

Felicidade! O que é isso?

É fuga da realidade?

Não entendo. Está omisso!

 

Está omisso na Escritura,

Santa, Sagrada, da Bíblia.

No mundo, ninguém me entende,

nem mesmo a minha família,

nem amigos, nem ninguém

poderá ver meu valor.

Todos estão muito aquém

da minha realidade,

escrever é parte da fuga,

procura da felicidade.

 

Procurar a felicidade!...

Abrir o meu coração

onde há tanto para dar

é procurar evasão

na caneta e no papel:

ela ... é minha companheira,

ele ... o amigo fiel,

quieto, na prateleira,

aceita que o vá buscar

para escrever baboseira.

 

Com ela trabalho, inquieta,

este arremedo poeta

a que a família não liga;

conversam uns com os outros,

chamam aos poetas loucos, 

e não querem que lhes diga:

- Neste meu computador,

nem tudo são parvoíces.

Meu poema está escondido  

para evitar mais chatices!

 

São tão doidos os artistas ...

vivem sua arte. É pouco?

Escrevo sobre muitos temas(...) 

Recuso-me a dar nas vistas!

Quando lhes falo em 'poemas'...

Não ligam, não me dão troco!

Não me dão troco e eu pego,

nos meus companheiros fiéis;

'pintamos tela da vida'

e eles viram 'meus pincéis'.

 

"Meus pincéis" não sabem ler ...

Lê-os tu, com atenção!

É como estares num cinema,

vendo filme sem acção.

e vendo a actriz principal

contracenando com o mundo;

numa luta desigual.

E sempre incompreendida.

Toma! - Lê os meus poemas!

Aí expus a minha vida!

 

Tudo que não sei dizer,

por palavras fica escrito

pra quando a morte vier.

A família não quer ver.

Toma! - Lê os meus poemas,

que a morte não sabe ler!

 

-----------------------------

9/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 15:59
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