Terça-feira, 20 de Junho de 2006

Poema - Ivo Lourenço. meu amigo açoreano

(do meu livro «Amigos»)

 

De visita aos Açores, sem ninguém conhecido. Que pena!...

Lá fomos abismar-nos com as ilhas e vulcões dum tempo ido.

Ido, mas... todos os anos há catástrofes nas Ilhas;

vindas da terra ou do mar.

 O açoreano reconstrói... faz na sua terra maravilhas.

Ilhas montanhosas, terras vulcânicas.

Impera o verde, estradas de hortenses

e as paisagens oceânicas.

 

Trouxe-me a Internet, há uns dois anos atrás,

um amigo açoreano. Boa cepa, cá dos meus,

gente que muito me apraz.

Açoreano de gema, é um rei na sua casa:

tem o sossego da horta, um lago, cães e galinhas

e outros animais d'asa.

No meio d'árvores, arbustos, vi sebes bem aparadas;

o terreno e as garagens, a casa, em fotografias,

dum avião, bem tiradas.

 

Diz que se perde cá fora, espiando os ninhos das rolas.

Um local encantador! Vê melros e andorinhas

enquanto apanha as cebolas.

À sua 'Horta ecológica', fez um site na Internet...

sobre estrume em compostores...

Metódico no PC, poda mensagens, disquete.

Às Ilhas maravilhosas eu gostava de voltar;

agora, com cicerone, não ia escapar-me nada,

tinha casa onde ficar.

 

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20/08/2002

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores n.º 20958

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Sábado, 10 de Junho de 2006

Poema - Uma carta

(do meu livro «Amigos»)

 

Não deixo de escrever-te, minha amiga.

Lamento, se te deixo angustiada.

Estivesse eu junto a ti e a minha briga

co'a vida, era coisa já passada.

 

Contigo, aprenderia a dar-me inteira

sem que, na volta, algo recebesse.

Contigo, veria qualquer asneira

dissipar-se, mal o dia amanhecesse.

 

Nunca guardaste mágoas, por ninguém.

Vives dia após dia, a trabalhar.

No meio da tanta lida, para alguém,

que necessite, tens tempo para dar.

 

Teu ânimo, me chega por mensagem,

no meu pc, as letras bailadeiras.

Sempre consegues transmitir coragem,

desse Brasil longínquo, brincadeiras. 

 

Pelos traumas da minha juventude,

receio o mealheiro não encher.

Poupar, em mim, não é uma virtude;

porque tudo faz falta, sem fazer.

 

Assusta-me ir tão longe, conhecer-te.

Perturba-me ir tão longe, visitar-te.

Parece que o melhor modo de ver-te,

será nessa viagem ajudar-te.

 

Tu pensas numas férias merecidas,

junto da tua amiga portuguesa.

Paras, durante uns tempos, com as lidas...

e aqui terás descanso, cama e mesa.

 

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21/01/2002

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

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Sábado, 20 de Maio de 2006

Poema - Minha amiga brasileira é pintora

(do meu livro «Amigos»)

 

Eu ‘xingava’ a minha amiga,

(pra falar à brasileiro),

quase seu ‘bumbum’ virava

nas minhas mãos um pandeiro.

 

Agora é que eu entendi

quanto ela trabalhava.

Eu escrevia e ela

metade não se lembrava.

 

Desde que esta secretária

me virou uma lixeira,

esqueço de lhe escrever

por causa da trabalheira.

 

Ó que vida tão malvada!

Quase me afogo em papéis!

Nas tintas tu te afogavas,

mesmo agarrada aos pincéis.

 

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9/09/2001

Laura B. Martins

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Quarta-feira, 10 de Maio de 2006

Poema - Semelhanças!

(do meu livro «Amigos»)

  

Platónico é este amor. Coisa assim, eu nunca vi!

E quem se quer bem devia, ter seu amor junto a si.

Quem diz que amor é carnal, desconhece aquele amor

que grassa entre corações que se dão mútuo valor.

 

Eu vivo entre seres humanos. Tu, lá longe, também vives.

Sofremos no dia a dia; separadas, infelizes.

De tanto nos parecermos, parecemos apaixonadas.

Parece que viveremos, parecendo separadas.

 

Separadas pelo mar, tão distantes, na lonjura...

Escrevemos, telefonamos... e-mails, fotos, à mistura.

Carpimos as nossas mágoas, desfiamos emoções.

Choramos, quando infelizes. Abrimos os corações.

 

Também temos alegrias. É nossa capacidade

de artista, exteriorizar, o que o peito tem vontade.

Nossas artes diferentes, temos 'arte', algo diversa.

Confessamos mutuamente que, 'arte', há na nossa conversa.

 

Falamos tanto de nós, das nossas vidas distantes.

Percebemos ser iguais, parecemos dois amantes.

Nunca seremos felizes; pois a própria felicidade

vem de um sentido comum e da perfeita igualdade.

 

De reacções parecidas e sentimentos perfeitos,

se vivêssemos as duas, não teríamos defeitos.

Vivência do dia a dia acaba quando os casais

percebem que, só na cama, as sensações são iguais.

 

Amizade é outra coisa. Amizade é um sentido

que transforma 'amor de cama' em algo mais reflectido.

Faríamos nossas vidas, viveríamos tão bem ...

longe dos homens, egoísta... Irmãs tão iguais não tem!

 

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2/2001

Laura B. Martins 

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Quinta-feira, 20 de Abril de 2006

Poema - Você me fez recordar...

(do meu livro <Amigos>)

(Segredos de amigas)

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Você me fez recordar...

Os tempos em que eu sonhava outros sonhos.

Os tempos em que os dias tão risonhos

da mocidade,

já perdida para sempre,

tudo alegravam sem pensar no amanhã.

Tudo era bom.

Eu radiosa e louçã,

amava tudo;

mesmo a mim que eu via ao espelho.

Desconhecia que o rosto ia ficar velho.

 

O Johnny Mathis cantava no meu ouvido;

agora...

só no meu computador.

E no CD,

(que até já tinha esquecido).

Sua mensagem, trouxe de volta esta dor.

Era no tempo em que eu vivia feliz,

com o amor;

sem pensar que ele ia embora.

Por sua causa,

ainda minh' alma chora!

 

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11/2000

Laura B. Martins

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Segunda-feira, 10 de Abril de 2006

Poema - Para a minha amiga ler...

(do meu livro <Amigos>

 

Estava a fazer qualquer coisa,

que não interessa aqui.

O pensamento perdido...

então, sentei-me e escrevi!

 

Vou já ao computador

teclar, pra não se perder;

inserir num longo e-mail,

para a minha amiga ler.

 

Ela lê, depois comenta.

Está tão longe... no Brasil...

Se ela entender o que escrevo,

é uma no meio de mil.

 

Mesmo assim, valeu a pena

descrever o que senti;

se ela também puder ver,

puder sentir o que eu vi.

 

Poesia de cada um...

é pra quem a entender.

Ah! Sim... não lhes faz sentido!

S.....ei! Têm mais que fazer!...

 

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10/2000

Laura B. Martins
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Segunda-feira, 20 de Março de 2006

Poma - Amiga sofrida!

(do meu livro <Amigos>)

 

Fazendo jus à veia de poeta,

recordo suas últimas palavras.

Eram amigas,

repassavam saudades.

Faziam dó,

por serem tão amargas.

 

Que vou dizer-te que não tenha dito?

Que vou falar-te que não saibas já?

Olhar o mundo

equivale a um grito

de dor,

mas nós vivemos cá!

 

Temos, por isso, que nos contentar

com o que temos;

e ainda dar aos outros nosso amor.

Esquecidas do que vemos

e amar;

amar sem reparar no desamor.

 

É lei dos homens:

amam... CADA VEZ MENOS!

 

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11/2000

Laura B. Martins

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Sexta-feira, 10 de Março de 2006

Poema - Amiga louca...

(do meu livro <Amigos>)

 

(saudade de uma amiga distante)

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Distantes! No meio... o mar!

Não importa o que tu digas.

São os nossos disparates

que nos tem mantido vivas.

 

Então você acha mesmo

que é possível eu não rir?

Nunca sei o que você

vai inventar a seguir (...)

 

Eu tenho uma amiga louca!

Não sei que lhe hei-de fazer.

Quem dera ir visitá-la ...

fico eu louca de a não ver!

 

Vou olhando os teus retratos...

imagino estar aí.

Se eu não posso estar contigo...

Vem com teu país pra aqui!

 

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3/2001

Laura B. Martins

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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2006

Poema - Irmãos

(do meu livro «Amigos») meninos_praia.jpg

 

Como os nossos problemas comezinhos,

perante amigos com doenças graves,

são desprovidos de tudo, pequeninos,

põem à felicidade alguns entraves.

Quem luta pra vencer cruéis doenças,

com dores e receio, entristecido,

sem saber do destino, qual sentença,

d’amigos tem que estar bem fornecido.

 

Amizade, é moeda numa face;

do outro lado, quer dizer amor.

Quem não tiver as duas não se mace

a chamar-nos d’amigos, que é pior.

Sentimo-nos seguros, nós e eles,

convencidos que somos estimados.

Moeda sem valor, a estima deles;

moeda falsa. Fomos enganados!

 

Pra tudo há o reverso da medalha.

Amor e amizade dão as mãos.

Que se afaste de nós essa gentalha

desconhecendo que eles são irmãos.

 

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25/09/2001

Laura B. Martins

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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2006

Poema - Amiga virtual

(do meu livro <Amigos>)

 

Já faz 3 anos que nos apaixonámos,

incrível como nunca nos falámos

pessoalmente, jamais vi o teu rosto.

As fotos são sem medida nem conta

e, entretanto, para mim estás sempre pronta

a consolar-me, qual marido bem disposto.

 

Pensei já muitas vezes visitar-te,

falar contigo, finalmente encontrar-te;

dizer então de viva-voz como foi bom,

nestes 3 anos de desgostos e loucura,

(com muitas coisas boas à mistura),

desabafarmos sem que a voz suba de tom.

 

Aquela ideia, instalada em nossa mente,

de que «o grande amor que a gente sente»

sempre termina em sexo, é geral.

Quero mostrar ao mundo ‘amor de gente

de corpos separados’... simplesmente

porque são almas gémeas, afinal.

 

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17/07/2002

Laura B. Martins

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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2006

Poema - Entre, amiga virtual!

 

mulher_pcportatil.jpg(Do meu livro "Amigos ")

 

( dedicado a Minha grande e inesquecível amiga - Jacqueline -)

 

( Adaptação de Uma Prosa de Letícia Thompson)

 

Abro a janela do meu computador!!!

Entre, e traga o seu riso, por favor,

que não ecoa mas, enfim, é tão gostoso!

Conte pra mim as suas velhas histórias,

totalmente imbuídas de memórias,

algumas tristes, outras, que dão puro gozo!

 

Deixe eu deitar, em ombros invisíveis,

e segurar mãos fortes e flexíveis,

olhar seus olhos, nessa fotografia.

Suas palavras entram-me direitinho,

num coração tão falho de carinho...

Meu mundo é uma casa tão vazia!...

 

Da imensidão do éter, você chega

sem passaporte, você me aconchega,

atravessa fronteiras e me assume.

Traz muita paz... umas palavras, um verso...

música... imagens... mostra-me um Universo

de coloridas flores... sem perfume.

 

Todos os dias, eu abro esta janela

na esp’rança de a rever, entrar por ela

seu bálsamo, alívio desta dor.

Abro-lhe a minha casa, como vê.

- Tome um café. Conte-me de você.

Prove o meu bolo, fale-me seja o que for!

 

Juntas sorrimos, ficámos delirantes...

Juntas chorámos, de coisas tão chocantes...

Você não é apenas um endereço

que vive num arroba escondido,

você tem uma alma, um apelido;

de há muito que ganhou o meu apreço!

 

Afinal, é o meu anjo da guarda!

Para entrar aqui, você se farda

com duas asas e uma auréola branca.

Esquecida dos problemas pessoais,

você aceita os meus lamentos mais

abertamente que a família, é mais franca.

 

Desculpe o meu café não ter sabor,

e o meu bolo sem açúcar, o melhor

que eu consegui à Internet conectada.

Mas o carinho e amizade são reais

na rede toda; porque de virtuais,

acredite que não temos mais nada!

 

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3/08/2002

Laura B. Martins
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Domingo, 1 de Janeiro de 2006

Livro 07 - Editado 11/2002 AMIGOS

(Capa da imagem )
amigos_pcmao.jpg
... Mas Todos São Amigos .

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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2005

Poema - Leões caseiros

(do meu livro «Animais de estimação... e Outros que não!»)
 

leoes_casal.jpg 

 

Lá estão eles sobre a cómoda, o meu casal de leões.

É uma situação incómoda, dormir com bichos rujões.

 

Mas estão sempre calados, deixam fazer um carinho.

São leões domesticados, feras de grande focinho.

 

Meus bichos tom de camurça, guardam-me sono e descansos;

junto ao cão, coelho e ursa que são como os leões, mansos.

 

O coelho está na cama, é um bicho preguiçoso;

junto a um cão que se chama ‘pequenino’, é amoroso.

 

Quando me deito, lá vão prà mesa de cabeceira.

Eu nunca os ponho no chão: vão prà mesa ou prateleira.

 

A ursa, lá no sofá, com um laço cor-de-rosa,

diz entender o que há, olha pròs outros e prosa:

 

A dona, quando menina, sofreu um desgosto atroz;

não obteve, em pequenina, peluchinhos como nós!

 

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20/08/2001

Laura B. Martins

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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005

Poema - Tango macabro

(do meu livro «Animais de Estimação... e outros que não!») barramus.vrd.gif

 

À janela, descansada,

bebo o café, embalada

por melodia argentina;

sem saber-me abandonada

pela providência divina.

 

Numa quinta, aqui bem perto,

a correr, montando o cerco,

um cão corria, em redondo.

Cão de caça, muito esperto...

e deu-se um crime, hediondo.

 

Debicava a criação,

e eis porém, quando o ‘senão’

avançou, dente afiado.

Começou a confusão;

fugiu um pra cada lado.

 

Voam penas pelo ar,

fogem patos a grasnar

e uma galinha, coitada,

levanta-se a coxear

pois levou grande dentada.

 

Pelo vizinho, gritei.

Acordes não esquecerei

da música sincopada.

Veio o dono impor a Lei;

e o cão, na cerca fechada.

 

Soam acordes, de novo.

Estarrecida, não aprovo

a cena presenciada.

O café, bebo num sorvo;

quase termino engasgada.

 

Notas musicais elevam

o tom, (e assim conservam

do espectador a atenção).

Os outros bichos observam.

É grande a consternação.

 

O dono não se atrapalha,

toca o ‘tango da canalha’,

(horror meu, que sou vizinha).

Ele saca da navalha...

Corta o pescoço à galinha!

 

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4/03/2002

Laura B. Martins

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Terça-feira, 10 de Maio de 2005

Poema - Ilha da Madeira - Receios!

(Do meu livro " Animais de Estimação e Outros que não ")

 

 gatopreto_andar.gif

 

Hoje quero falar-lhe, Presidente, da nota discordante que observei

na Ilha da Madeira, onde contente, Vossa Excelência preside, qual um rei.

 

A natureza calma do ilhéu acaba por tornar-se num defeito;

e, neste caso, até faz dele um réu. Ignorar animais não tem mais jeito.

 

Estive na sua ilha uma semana, duas, três, ficaria toda a vida.

Trouxe no coração, a desumana nota que entristeceu a minha ida.

 

Saí para jantar naquela rua de muitos restaurantes e esplanadas,

junto ao Windsor Hotel. Por culpa sua, encontrei uma gata abandonada.

 

Os restos de comida que lhe dava, não minoravam a sede de carinho

e o pavor que, de tal modo, a perturbava quando via passar outro gatinho.

 

Escondeu-se no meu colo, assustada. Escorreu-me a lágrima, como fiozinho,

e perguntei porque ninguém fazia nada (?...) mas cada um só vê e segue o seu caminho.

 

O lindo animal de olhos verdosos sofre, por falta de politização.

Aos ilhéus, que por norma são bondosos, ensine-os também a ter coração.

 

Perdida... abandonada... feriados... fazer alguma coisa eu não podia.

Serviços Camarários fechados no fim de semana da 'Autonomia'.

 

Senhor Presidente, isto é um apelo! Faça V.ª Ex. alguma coisa!

Faça da sua ilha um modelo, já que em Lisboa não tenho quem me oiça.

 

Crie um serviço que auxilie os animais. Há sites para tudo em Internet.

Zelar por homens, flores e outros que tais, no paraíso dessa ilha a si compete.

 

Ensine aos seus patrícios 'irmandade', faça campanhas de politização.

Eles adoram-no! Acredite, que é verdade! Mais uma vez, levante a mão, e diga: - Não!

 

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12/02/2002

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

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Sábado, 1 de Janeiro de 2005

Livro 06 - Editado 10/2002 ANIMAIS EST.e outros q/não

Livro - Animais de estimação ... e Outros Que não!

(Capa da imagem )
tartarugas_tango.gif
Os Nossos Amigos

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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2004

Poema - África-cadela

(Não Meu livro « Animais de Estimação » ) Africa_jornalboca.jpg

 

Agora é que vai ser bom! - digo eu aos meus botões.

Com gato, cão e cadela, não há medo de ladrões.

 

O gato, era um desprezado; mas, aqui tem um bom lar.

O cão era abandonado, por ele estou a lutar.

 

A cadela é que é finória! (Eu finjo que tive amnésia).

Só acolho 'pobretanas' e ela é 'Leão da Rodésia'.

 

Boa casta e 'pedigree'... Virá cheia de peneiras!

Eu, vou metê-la na ordem. - Ó menina, tem maneiras!

 

Isto aqui não é Hotel de uma nem cinco estrelas.

Aqui, há que andar na linha, sejam gatos, cães, cadelas.

 

A dona tem que fazer! Pouco tempo há pra finuras.

Tu vens mal habituada, desse país nas lonjuras.

 

Foi a filha que a comprou; mimou demais, fez asneira.

Agora, mudou de vida; deixa cá esta canseira.

 

A 'madame' vai ver só! Aqui, além doutro clima,

vai ter que dividir tudo; se quiser a minha estima.

 

De Moçambique pra cá, Lourenço Marques, Maputo.

Se ela cá quiser ficar, eu por ela também luto.

 

Porque a dona, minha filha, vai para França estudar

enquanto o genro faz curso; e não dá para a levar.

 

Eu só quero ver depois... quando eles regressarem ...

se a "África" quiserem... a "África" me tirarem!!!

 

(Isso é que era bom)

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2/08/2001

Laura B. Martins

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Sábado, 10 de Abril de 2004

Poema Prosaico

(do meu livro «Animais de Estimação»)

 

Não há motivo para um poema ser triste.

A tanta dor, tem gente que não resiste.

Vou declamar-lhes poesia mais animada;

de poetisa que julga ser engraçada.

 

Tenho plateia, amando tudo  o que leio.

O gato escuta, enleva-se e eu receio

que os olhos fechem, adormeça, entediado;

nem ouça as palmas, da leitura, o resultado.

 

Também o cão, que da plateia faz parte,

põe o focinho no meu colo. Adora Arte!

Tal como o gato, acaba fechando os olhos;

enquanto eu leio, que a vida "é um mar de escolhos".

 

Mas, eu vinguei-me! Já comprei um gravador.

Ponho-lhe um fundo de aplausos; fica melhor.

Quero escutar a poesia declamada,

com a plateia aplaudindo, entusiasmada.

 

Páginas, páginas de poemário sem fim.

Caiu a linha. Computador ri de mim.

Escrever assim, foi coisa que nunca viu.

Estou às escuras porque a lâmpada fundiu.

 

À minha frente, tinha uma jarra com flores,

das verdadeiras, um conjunto de mil cores.

Está-me a parecer ... Preciso mudar a água

ou elas murcham, com o peso de tanta mágoa.

 

Meus bibelôs caíram; móvel abaixo.

Até a sopa deitou por fora do tacho.

Naquela árvore, um pássaro fez cara feia.

Isto é que é Arte! Sou poeta de mão cheia!

 

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11/2000

Laura B. Martins

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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2004

Livro 05- Editado 06/2002 ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

( Imagem da capa )


caogato_capa.gif
Os Nossos Amigos

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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2003

Poema - Velhos são os trapos... e ainda têm serventia

(do meu livro <Pedaços da vida>)

 

Quantos de vós se acham velhos? Quantos deixaram que a vida

tomasse conta de vós e lhes ganhasse a partida?

 

Acham que estão incapazes? Foi isso que lhes disseram?

E vocês acreditaram? E pensam que já morreram?

 

Belisquem um braço, a cara. Sentem a dor? Então vivem!

Conversem uns com os outros. Animem-se! Incentivem!

 

O motor está muito fraco? Não digam isso! É chantagem!

Na oficina da vida Deus faz a recauchutagem.

 

Seguiram rumo diferente, traçado pelo Destino.

Agora podem escolher... Toquem a corda do sino!

 

Têm tanto tempo livre!... Pensem nos sonhos de outrora!

Que gostavam de fazer? Porque não fazer agora?

 

Quantas artes escondidas... Quanto artista ignorado ...

Peguem num caderno e escrevam, toquem viola, cantem fado.

 

Se têm limitações, não sabem ler, escrever ...

inscrevam-se numa escola; inda é tempo de aprender.

 

Ensinem-se uns aos outros; tem sempre um que sabe mais.

É melhor que perder tempo a olhar para os pardais.

 

Quantos de vós não puderam estudar, frequentar a escola.

Ganhar o pão, trabalhar, sobrepunha-se à sacola.

 

É já na terceira idade que, julgando-se perdido,

aparece muita gente que era um artista escondido.

 

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8/08/2001

Laura B. Martins

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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2003

Poema - Degradação

(do meu livro <Pedaços da vida>)

 

As dores vêm com a idade: as artroses e aflições,

reumáticos e varizes, transformam-nos em podões.

Se hoje tem dor, eu descanso. Amanhã, parto prà guerra.

A vida nunca tem dó de quem nas dores se encerra.

 

Quando a vida se encomprida, os dias ficam mais curtos,

ideias esmaecidas e as doenças em surtos.

A lenta degradação, que vamos apercebendo,

deixa-nos na ilusão de pouco estarmos vivendo.

 

Oh! Não! Jamais vou deixar que me escape assim a vida.

Aproveito ter mais anos e a ideia esclarecida.

Porque estou viva e capaz de estar aqui a falar;

e em casa, estava doente mas teimei em versejar.

 

Os meus versos são o fruto de um desgosto que sofri.

Foi pensando nos desgostos que me sentei e escrevi.

Cinquenta e seis anos tinha, estava afogada em desgosto,

com muito dó de mim mesma, lágrimas sulcando  o rosto.

 

Parti para escrever versos, desfiz a minha revolta.

Peguei a vida pelos cornos, fui-me a ela, dei-lhe a volta.

 

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14/08/2001

Laura B. Martins

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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2003

Poema - Solidão

(do meu livro <Pedaços da vida>)

 

Estou só! Lá fora tem luz, de um candeeiro fronteiro,

que ilumina a minha rua e as flores do meu canteiro.

 

Mansinho fecho a janela. Estava a rua sossegada.

Até a minha vizinha tem a janela fechada.

 

Do outro lado da casa, por outra janela espreito.

Tantas luzes... multicores... sem dúvida um belo efeito.

 

Luzes grandes, como brasa de aviões feitos à pista;

ou de carros, por instantes, que somem da minha vista.

 

Deixo-me estar na janela a sonhar com outra vida.

Tantas luzes... Que ilusão! Nenhuma me dá guarida!

 

Hoje estou só, porque quis. Perdi-me, nas ilusões!

Mas a pior solidão, é no meio das multidões.

 

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3/09/2001

Laura B. Martins

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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2003

Poema - Vingança!

(do meu livro «Pedaços da vida»)

 

Se,

da vingança eu pudesse surgir...

e, (infinito bem), me reflectir,

como num espelho,

sendo outra mulher...

VINGANÇA, sim!

Agora que estás velho...

Anos e anos a sofrer,

falo por mim...

Sei que a palavra não consta do Evangelho!

 

Tão separados vivemos,

corpo e alma.

Definitivamente,

não nos entendemos.

Vingança, acalma?

Interiormente,

mataste os sonhos meus.

Agora, aqui me tens,

alma vazia!

Nem sei que faço viva,

eu já morria...

Por ti, por nós, peço perdão a Deus!

 

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4/2001

Laura B. Martins

Soc. Port. Aut. nº 20958

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Sábado, 20 de Setembro de 2003

Poema - Tão longe... tão perto!

(do meu livro «Pedaços da vida»)

 

Onde estás?

Procurei-te uma vida!

Onde foste?

Eu estava aqui, perdida!

Como estás?

De ti, não estou esquecida!

O reencontro...

Deixou-me aturdida!

 

Inda és tu?

???????

Aqui, na minha frente!...

???????

- Sim, sou eu!

Acreditei-te ausente!

???????

Cuidei-me!

Queria dar-te o presente

de alguém,

igual a antigamente!

 

Esperei-te!

Igual a tanta gente!

Esqueci!

Que a vida faz diferente

o homem

e a mulher amados;

juntos,

ou estando separados!

 

Assim,

caminho lado a lado...

Contigo,

ou outro ser amado...

Se amor,

eu poderei chamar...

viver,

com outro em teu lugar!

 

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4/2001

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2003

Poema - Meu perdido amor

(do meu livro «Pedaços da vida»)

 

Perdi meu amor, não guardo rancor.
Eu tinha razão, em dizer que não.

Era muito nova, puseste-me à prova.
Quando disse sim, foste mau pra mim.

E todos os dias, com outras te rias.
Eu me amargurava, e por ti chorava.

E à noite, eu te esperava... e desesperava.
Estava sempre à espera... chorando, sincera.

A vida gastavas, com outras brincavas.
Perdi muitos anos... causaste-me danos.

Quando regressaste, pediste, choraste.
Em louca ilusão, disse-te que "não"!

Não mais esqueci, o amor que perdi.
Minh´alma está oca, por ter sido louca.

Com outra casaste... bem amarguraste.
Com outro casei... muito amargurei.

 

Estamos separados, muito mal casados.
Eu vivo infeliz, tu já não te ris.

 

E  assim, vivemos, e muito sofremos.
Sempre separados, desenraizados.

A vida não pára! Alegra tua cara!
Fica sossegado! Esquece teu passado!

Tudo vou tentar, para olvidar,
este amor profano, que foi meu engano...

 

Até a escrever, eu espero esquecer,
este amor profundo, por um vagabundo ...

Passei os cinquenta, o amor me sustenta.
Inda há muito amor... digo-o sem pudor.

Passou minha vida, estou arrependida!
Ainda te amo... pra mim te reclamo!

Se um dia me vires, me olhares, sorrires,
vou querer amar-te  e não mais deixar-te!

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7/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

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Quinta-feira, 10 de Julho de 2003

Poema - Filha, minha!

(do meu livro«Pedaços da vida»)

 

Tu, que choravas no meu regaço...

ao esfolar um joelho... a testa... um braço...

Que foi que te tornou tão arredia?

Não ter tido uma filha, mais valia!

 

Assim, eu não contava com alguém,

que em vez de carinho, dá desdém.

Mostrando um ar altivo, superiora...

podes-me agradecer, se hoje és doutora!

 

A mãe que nada vê, nada percebe;

apesar de entender, nada recebe.

A mãe que tudo vê, nada comenta.

 

Ela está sempre ali, pouco se ausenta.

Surpreendida de tanto ter pra dar,

repara que não tem quem abraçar!

 

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8/2000

Laura B. Martins

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Sábado, 10 de Maio de 2003

Poema - EU!

(do meu livro «Pedaços da vida») 

 

Nos meus poemas, ressaltam EUs que eu sou.

Em todos eles, sobressai narcisismo.

Interpretando, desvendando, EU me dou.

Doses maciças de um puro lirismo.

 

Nem toda a gente gosta de si própria.

Meio mundo anda procurando seu modelo.

EU não preciso. Sou poço de vaidade.

EU sou assim. Gosto de mim. E sei dizê-lo!

 

Letra pequena, despercebido passa;

mínimo 'tu', que mal se percebeu.

Existes só, para apontar meu dedo;

depois, sou EU, mais EU e apenas EU.

 

Não sou sincera! - dizes. Tenho segredos!

É bem provável, guardar em outro ser meu,

alguns defeitos, falhas de integridade;

daí resulta um ser perfeito que sou EU!

 

Rir de si mesmo, descrever-se a si próprio;

psicanalistas correr, pra se queixar.

EU não preciso, disso. Somos dois EUs.

Aproveitamos um ao outro analisar.

 

Já somos dois, EU e um outro EU.

À semelhança do primeiro EU que existiu,

é narcisista e tem outro defeito:

guarda segredos. Mas, de ti nunca fugiu.

 

Por isso 'nós', jamais existirá.

Neste interregno, tão confuso para ler,

vê que «um é bom, dois é perfeito, três demais»!

Pensa com qual dos meus EUs, tu queres viver.

 

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2/2001

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores n.º 20958

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Domingo, 20 de Abril de 2003

Poema - Transitório

(do meu livro «Pedaços da Vida»)

labaredas_mini.gif  

Tudo, contigo, tem um ar transitório.

Vem cá! Senta-te aqui, ao pé de mim!

E conversemos, num estilo bem simplório;

de quem casou, vai ficar junto até ao fim.

 

Apenas, peço um pouco de atenção.

Acalma-te! Olha de frente, pra mim!

Já tenho rugas, mas, pega a minha mão.

Sentes que a alma ainda é de querubim?

 

Mas afastámo-nos; tu menos e eu mais.

Jamais falámos dar um fim às nossas vidas,

de bem casados. Parecemos aos demais,

que as nossas vidas foram muito bem unidas.

 

Tua cabeça, parece um cata-vento.

Teus olhos giram, como boneco de feira.

Toma atenção! Ouve, o meu lamento!

Não é possível, continuar desta maneira.

 

O teu trabalho, é diversificado;

com outros falas e tens amigos sem fim.

Queres ver TV? Preferes estar calado?

Tua energia, canaliza-a para mim!

 

Se os meus poemas te suscitam ciúmes,

talvez te queimem, as palavras verdadeiras.

Mas, também eu, me queimei nesse lume;

já vivi dias, plenos, de esp’ranças fagueiras.

 

Hoje, sem lágrimas, a ARTE é subterfúgio

pra me encontrar com a minh´alma gémea.

Nós nos amamos, escondidas no refúgio

da POESIA e duma vida mais etérea!

 

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11/2000

Laura B. Martins

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Quinta-feira, 10 de Abril de 2003

Poema - Companheiro esquecido

(do meu livro «Pedaços da vida»)

 

Esqueceste-te de ler os meus poemas.

Esqueceste de apoiar a minha arte.

Agora, quando o corpo está presente,

o espírito viajou pra qualquer parte.

 

Jogos de bola, tu vês sem parar,

colado no sofá e na TV.

Sem ver que a poetisa vai escapar

de quem, jornais da bola, apenas lê.

 

Aquilo que dissemos, um ao outro,

era bonito. Posso escrever num papel.

Mas transportá-lo para o dia a dia...

Tenho vontade de devolver-te o anel!

 

É certo que eu fiquei insuportável!

Verdade! Nada temos em comum!

Juntámo-nos e a disparidade

ressalta, no feitio de cada um.

 

Ecoam palavras desagradáveis.

Eu choro pelos cantos, infeliz.

Tu sais, para o trabalho, imperturbável...

Se nunca me matei, foi por um triz!

 

Vives na lua. Vives apressado.

Não ouves nada, do que eu quero dizer. 

Falar contigo, igual a estar calado.

Vivemos juntos! Pra quê, posso saber?

 

Mas, isso, tem assim tanta importância?

Perguntas-me. E eu estou tão arreliada

de te ouvir dizer sempre a mesma coisa,

anos a fio... repara:- Estou cansada!

 

São coisas mínimas, são só bagatelas.

Pra ti são zero; pra mim são milhares delas.

Observa:- O amor é feito assim:            

coisas pequenas, mas tão grandes pra mim!

 

Tudo que sofro, redunda num poema.

Mas, até nisso, tu queres pôr um final.

- Não fica bem! Fizeste disso um lema.

Parece mal! Parece mal! Parece mal!

 

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11/2000

Laura B. Martins

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Segunda-feira, 10 de Março de 2003

Poema - Cinquentona!

(do meu livro «Pedaços da vida»)

 

O homem casou com ela, sem saber com que contava;

e até achou engraçado, não ver o que o esperava.

Vida em comum iniciada, pode ser bem divertida;

caso a saibamos levar, pra não dar cabo da vida.

 

A mulher que mal sabia, o que era cozinhar,

deixava o homem com fome, mas gostava de dançar.

Cantava, vestia bem, era até muito atrevida

mas, para trabalhar fora, não fazer da casa a lida.

 

Após o primeiro ano, começaram os sarilhos;

quando tudo estava bom, nasceu o primeiro dos filhos.

Era um berreiro de noite, para o bebé mamar

e, lá em casa, ninguém conseguia sossegar.

 

Muitas fraldas com chichi, e outras pouco cheirosas,

faziam com que o marido, esquecesse o odor das rosas.

Quando a coisa já mais calma, começava a entrar nos eixos,

nasceu-lhes uma bebé: deu-lhes água pelos queixos.

 

A esposa fica-lhe em casa, para cuidar dos bebés

e ele trabalha a dobrar; tem muito que dar aos pés.

Arranjou dores de cabeça, despertou prà realidade.

É bom ter uma família e responsabilidade?

 

Enfim, os filhos cresceram e o casal lá se mantém.

São iguais a todo o mundo; ora estão mal, ora bem.

Passaram-se trinta anos de problemas resolvidos.

Nem sabem quanto se querem; separados ‘tão perdidos.

 

A vida dá muitas voltas e, agora, já cinquentões,

voltaram a ter problemas; travaram-se de razões.

Esposa desassossegada, dos filhos está liberta,

arranjou cão, mais um gato e para a escrita desperta.

 

Tem que imprimir versalhada, que escreveu durante o dia;

não tem tempo pra conversas,  diz que isso é só fantasia!

Agora, quando ele quer, simplesmente conversar,

ela diz que na TV, o futebol está a dar.

 

O gato bufa e arranha se lhe passa a mão p’lo pêlo;

e, quando o homem se deita, sobre ele faz-se em novelo.

O cachorro pula e salta, morde a torto e a direito;

quando o homem chega a casa, fica com o fato desfeito.

 

Dá um beijo na mulher que anda eufórica da vida;

esteve no computador e atrasou toda a lida.

Olha o marido, sorri. Vendo que ele não está mal,

com doçura ela lhe diz:- Falta regar o quintal!

 

Depois da janta, um suspiro, de plena satisfação.

Afinal ela aprendeu, da vida a dura lição;

hoje em dia, é cozinheira de mão cheia e com preceito.

Dona de casa é assim: - Cinquentona é que tem jeito!

 

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13/07/2001

Laura B. Martins

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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2003

Poema - Engano

(do meu livro «Pedaços da vida»

 

De braço dado comigo...

a quem queres fazer ver?

O amor que eu tinha contigo

nada o fará renascer.

 

Inda juntos caminhamos...

Viver assim um castigo.

Parece que um par formamos

mas, uma coisa eu te digo:

 

Quem nos vê, corre seu risco

de julgar pela aparência.

Eu tenho feitio arisco

 

e tu tens pouca decência.

Não sentindo amor profundo,

estamos enganando o mundo!

 

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20/10/2001

Laura B. Martins

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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2003

Poema - Cinquenta anos... Adeus!

(do meu livro «Pedaços da Vida»)

 

Tenho uns cortinados novos,

colcha e duas almofadas.

Quero gozá-los que os anos

correm como águas passadas.

 

Fotos dos filhos, marido

bem parecido, (que vaidosa

dos filhos que são bonitos),

e minha, que era jeitosa!

 

Vaidosa de mim, do quarto

pelas minhas mãos decorado.

Gosto dele que me farto!

E das fotos, do passado.

 

Ai, já lá vai meia vida! ...

Cinquenta anos ... Adeus!

Meia vida está perdida! ...

Quantos mais anos, meu Deus?

 

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20/08/2001

Laura B. Martins

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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2003

Poema-Era uma vez... '20 contos'

(do meu livro «Pedaços da Vida»)

  

Vou falar de '20 contos', para começar a história.

Foi no Natal deste ano; pra uma mãe, foi 'a glória'!

 

Nas férias do fim do ano, a filha veio de visita.

Trazia-me um sobrescrito e uma prenda bonita.

 

Quando abrimos nossas prendas, nessa 'Noite de Natal',

vi que '20 contos' tinha o sobrescrito informal.

 

Também para ela havia, em sobrescrito fechado,

'20 contos' que o pai tinha só a ela destinado.

 

De mim o pai não quis nada de contos, do meu dinheiro;

mas, eu economizara 'quase 20' o ano inteiro.

 

O meu filho que trabalha e dinheiro não aprecia,

também rondou '20 contos', prendas que entre nós havia.

 

Vinte contos transitaram (em dinheiro português).

Andaram de mão em mão... Deus abençoe quem o fez!

 

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3/2001

Laura B. Martins

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Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2003

Poema - Truz, truz!

(do meu livro «Pedaços da vida»)

 

O computador é novo, teve pequeno problema.

Trabalho com o Outlook e parou-me esse sistema.

 

Técnico chamei, da loja, e ele veio prontamente;

mas, não era o do costume... o outro estava doente!

 

Confiada no rapaz, deixei-o só, no escritório;

sem pensar que preparava, do meu trabalho, o velório!

 

Pedi-lhe um novo programa, (até fazia sentido),

desde a compra do objecto que me estava prometido.

 

Mas, eis que retorno e ouço, o tal técnico dizer:

«As drives não aparecem; algo está a acontecer»!

 

Sei lá o que são as drives! Só me falam em inglês!

Não terá correspondente pra palavra em português?

 

O programa estava bom, era até bem funcional.

O tal MILLENIUM falava minha língua nacional.

 

A questão era o trabalho; tudo que eu tinha apurado,

horas de sono perdido, na Internet pesquisado.

 

Os meus poemas voaram, 'Pégasus' à rédea solta.

Se o meus amigos os virem... peço que os mandem de volta!

 

Eles são como meus filhos, do meu espírito nascidos.

E não há maior desgosto que ver os filhos perdidos!

 

Também as minhas imagens se sentiram desprezadas;

postas fora do arquivo foram-se, eliminadas.

 

As fotos dos meus amigos... e-mails de prosa curtida...

Desembestaram, sumiram... Jamais os verei, na vida!

 

O tal rapaz, inconsciente, sem me dizer coisa alguma,

tinha formatado o disco. Não tenho coisa nenhuma!

 

Pensar que, nessa semana, eu já tinha destinado

comprar CDs, gravador, pra ficar tudo guardado!!!!

 

Truz, truz! Bateram-me à porta! Era o azar, fui abrir.

Pus o técnico na rua. Ficou-se o Diabo a rir!

 

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1/2001

Laura B. Martins

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Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2003

Livro 04 - Editado 11/2001 PEDAÇOS DA VIDA

( Imagem da capa )


Porto_Setubal.jpg
Doca de Pesca do Porto de Setúbal

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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2002

Poema - Vizinhos!

(do meu livro «Meu Universo»)

 

gente_familia4.gif

Já descrevi a paisagem

e o que se passa comigo,

quando estendo o meu olhar.

Falta o olhar atrevido!

Vamos lá baixar os olhos,

um pouco bisbilhotar,

ver mais ao pé, mais de perto.

Querer espreitar vizinhos,

não sei se está muito certo!

 

Na frente, vizinhos novos

nas duas casas, lá estão.

Não ponho nenhum senão!

Pessoas de poucas falas,

tratando de desmanchar

o que antecessores fizeram.

Até me fazem pensar

o que irá acontecer

aqui, se eu perecer.

 

Mais acima e mais abaixo,

(que esta rua é a subir),

tem vizinhos pouco próprios

que até me fazem sorrir.

Mesmo ao lado, na subida,

há uma casa de gaveto.

Dizem palavrão que ferve!

Mas é bom que não me enerve;

eu com eles não me meto!

 

São vizinhos belicosos...

sempre com música aos gritos...

e as motos a acelerar...

Também têm as cadelas

que estão sempre a ter filhitos;

os bonitos, há quem leve.

Ai, não ver isto, quem dera!

Outros, são atropelados...

Vizinhança, desespera!

 

Todos à solta p'la rua,

 magrelas, escanzelados,

a assaltarem os jardins...

Os vizinhos resolveram

pôr cercas, portões fechados.

Puseram a casa à venda!?!!?

E, entretanto, sumiram.

Ela está tão mal cuidada...

Ai meu Deus, que desistiram!

 

Que rua tão sossegada,

com sossego em demasia!

(Se eles aqui não estivessem).

Por nunca se passar nada,

o meu cão adormecia!

Mas tenho muro bem alto

e dá para me isolar;

que eu gosto do meu descanso

e do meu 'lar, doce lar'!

 

Mesmo ao lado, na descida,

tem vizinhos de rancores.

Embirraram-me com o gato

porque ele estragava as flores.

As tais flores, eram folhas

que do outro lado havia.

Motivo do desacato:

- Rasgavam-se contra arames,

porque o vento lhes batia!?!?!

 

Amuada com os vizinhos,

que até gosto de ajudar,

terminei as brincadeiras:

levantei a divisória,

enchi-a de trepadeiras.

Achei por bem isolar-me

e com flores dividir;

entre nós, uma parede,

 trepadeiras a florir.

 

Inda bem que são de fora,

para lá do sol poente.

É muito desagradável

não nos darmos co'as pessoas

e ter que olhar pra tal gente.

 Eles têm esta casa,

para as férias vir passar.

Que sorte! Não os aturo

aqui, um ano, a morar!

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10/2000

Laura B. Martins
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publicado por LauraBM às 19:13
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Domingo, 10 de Novembro de 2002

Poema - Terraço panorâmico

(do meu livro «Meu universo»)


moradia_terraco.gif

Do meu terraço, no alto, contemplo a Mãe Natureza!

Só me falta ver o mar... pra ser completa a beleza!

 

Vejo a paisagem distante... que em dia meio nevoento

se confunde com o céu; se as nuvens não leva o vento.

 

Se ao invés de enevoado, o céu está limpo e o sol brilha ...

o horizonte é delineado... Autêntica maravilha!

 

As estradas que caminham na paisagem, rente ao chão,

tem carros que ao sol rebrilham; una que vêm, outros vão!

 

Pra paisagem ser perfeita, as pontes a completar;

uma à esquerda outra à direita, podemo-las contemplar.

 

Tinha o nome 'Salazar', por outro nome se chama:

é '25 de Abril'! A outra 'Vasco da Gama'.

 

Sobre as casas dos vizinhos, olho à volta - a toda a volta,

em circunferência completa. Um olhar à rédea solta.

 

Posso confirmar que a terra, (como toda a gente conta):

É redonda! - diz o povo, mais esta cabeça tonta.

 

Inda tem outras vantagens, este meu belo terraço;

tomar bons banhos de sol, pôr físico morenaço.

 

Pela sua situação, afundado no telhado,

lá estou como vim ao mundo, sem o vento indesejado.

 

Oculta da vizinhança, resguardado o meu recato,

só se for de um avião que possam tirar retracto.

 

Pra trás, pinhal serra acima. Dos lados o casario.

Por cima o sol que me cresta. Pra baixo, telhas a fio.

 

Na frente do meu terraço, encostada à balaustrada,

encontro-me co´a paisagem; que eu admiro ... Admirada!

 

E à noite, as luzes são tantas... Às cores me parece o mundo.

"Néon" dos publicitários, anúncios piscando ao fundo.

 

Luzinhas, são corações! Cada casa iluminada

tem almas dentro, ilusões de adultos e criançada.

 

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11/2000

Laura B. Martins
Soc. Port. Autores n.º 20958

publicado por LauraBM às 15:05
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Sábado, 10 de Agosto de 2002

Poema - O sino da minha terra "Toque a finados"

(do meu livro «Meu universo»)

 

Hoje, o sino toca fora das horas habituais.

Acostumei-me a ouvi-lo, a traduzir-lhe os sinais.

 

Alguém morreu. Ele toca badaladas de seguida.

Tantas quantas tinha o morto de aniversários de vida.

 

Hoje, ele toca bem triste... Tlim-tlão, tlim-tlão...

Deixou de bater seguido mais um triste coração.

 

Aos poucos foi-se acabando. Ou seria de repente?

Enfim, deixou de bater mais um coração de gente.

 

Na sacristia é velado, à noite. Todos os seus,

familiares e amigos, vem rezar junto com Deus.

 

De manhã, de novo toca tlim-tlão. É toque de dores.

Cortejo pra o cemitério. Enchem-lhe a campa de flores.

 

Agora, fala-se assim, porque ele não está presente:

- Morreu? Que pena, coitado! Era muito boa gente (...)

 

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4/2001

Laura B. Martins

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publicado por LauraBM às 22:28
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Quarta-feira, 10 de Julho de 2002

Poema - O sino da minha terra "Sino novo"

(do meu livro «Meu universo»)

 

Um dia, o sino enguiçou.

De silêncio impressionante,

foram semanas e meses.

Que o sino, tal como nós,

também tem os seus revezes.

 

Eu, andava um pouco triste.

A modos que ..."fora de horas"!

Faltava-me aquele toque

que comandava o meu dia,

sem me perder com demoras.

 

Eu, andava um pouco lenta.

Vida desorganizada.

Sem o sino a comandar,

vida de dona de casa

era mais atarefada.

 

Ao contar as badaladas,

fazia contas à vida:

se podia descansar

ou, tinha que ir, de corrida,

pra casa fazer jantar.

 

Mas, eis que o sino voltou!

E o pároco, empertigado,

logo ao povinho afirmou

que ter um sino a tocar

não é coisa do passado.

 

E eis que o sino tocou,

com energia dobrada!

Tem a voz mais afinada,

de melodia trocou,

esta é bem mais animada.

 

Já estou de novo a ouvi-lo!

A tocar, a repicar ...

Querem lá ver?Já são horas

de irmos pra casa ...

Almoçar!

 

Parece uma coisa simples

voltar a ouvir um sino.

Simples acontecimento.

Para mim, foi importante;

deu aso a este momento.

 

É que os sinos, são tão velhos ...

pra lá dos tataravôs ...

Tem em todos os países.

Se muita coisa voltasse ...

seríamos mais felizes!

 

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9/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 22:20
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Segunda-feira, 10 de Junho de 2002

Poema - O sino da minha terra "Badalada"

(do meu livro «Meu universo)

 

Quando tocava, era tanta, 

mas tanta a minha alegria, 

que a melodia eu trauteava 

pensando até que já estava,  

ao pé da Virgem Maria. 

 

Dava a hora, a meia hora, 

e o quarto de hora também. 

E sempre muito certinho, 

porque sino é coisa séria, 

não enganava ninguém. 

 

Eu vou explicar como era, 

(não quero dúvida alguma), 

que este sino transformava 

uma cantiga completa 

de quatro partes em uma.

 

Dividimos a canção

em quatro partes perfeitas.

Depois, programa-se o sino

de forma que as vá juntando

uma a uma, bem direitas.

 

No primeiro quarto de hora,

dos quatro que a hora tem,

ele toca o primeiro quarto

da melodia escolhida,

e já toca muito bem.

 

No quarto de hora segundo,

vem o quarto número dois.

Pra mostrar música ao mundo,

toca meia melodia

e o resto virá depois.

 

A seguir, três quartos de hora.

E três quartos da canção.

Está quase a hora passada.

Pra quem estiver a cantar,

é cantiga inacabada.

 

Mas quando badala a hora ...

(sempre o faz à hora certa),

é só contar badalada.

Depois ... cantar melodia,

completa, toda acabada.

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9/2000

Laura B. Martins

Soc. Port,Autores nº 20958

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Sexta-feira, 10 de Maio de 2002

Poema - O sino da minha terra "Casa de Deus"

(do meu livro «Meu universo»)

 

Quem ouviu e não prestou, por andar em correria,

atenção à voz do sino, atenção à melodia...

não sabe quanto perdeu. Nem sabe que se esqueceu

de parar, para escutar e até cantarolar.

 

Quem ouviu e não prestou a atenção que devia...

quem fechou os seus ouvidos a tão bela melodia...

e ousou dizer, de seguida, que os sinos fazem barulho...

por certo tem coração transformado em pedregulho.

 

Não sei de nada melhor, pra confortar coração,

do que as suas badaladas convidando à oração.

Lá todos se cumprimentam e já nem pensam na guerra.

Leva os fiéis pra igreja, o sino da minha terra.

 

Ele desperta a minh´alma, deixo pra trás arrelias;

o som longínquo me acalma, chamando às "Avé-Marias".

Os meus passos se encaminham pra pedir por mim, p’los meus,

na direcção da igreja. Eu vou à casa de Deus!

 

E lá rezamos, cantamos, ouvimos sermão do padre,

encontramos o vizinho e sorrimos pra comadre...

Por mim, acho que cantamos de menos, em cada missa.

Deus até ia gostar, de uma forma mais castiça.

 

Vejo outras religiões, que cantando em harmonia,

rezam e pedem pra Ele tudo com mais alegria.

Levantam-se, dão as mãos, não têm missa formal;

erguem os braços aos céus e dançam, têm coral...

 

Isto de religião, esp’rança de alma e coração,

nos é dado em pequenino, sem podermos escolher.

Mas, como temos que ter algo em que acreditar...

E, afinal, Deus é só um! É só Ele e mais nenhum!

 

Eu acho que me perdi, conversa é como cereja.

Estava a falar dos sinos... Lá voltarei. Assim seja!

 

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9/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

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Domingo, 10 de Fevereiro de 2002

Poema - Janela da marquise

( Meu livro do « Meu Universo ")
 

 

A janela da marquise dá prò quintal dos vizinhos

e o meu quintal, nas traseiras.
Dela eu consigo enxergar, paisagem de mil maneiras. 

Meu vizinho fez a casa, lá longe ... e pôs entre nós,

(mui bem cuidado pelo dono) 
pomar que muda de tom, Primavera, Verão, Outono!

Ainda falta o Inverno: sem folhas, ramos cortados,

é quando as árvores erguidas,
me fazem escrever rimados, pensando nelas floridas.

Outros vizinhos também, construíram moradia

à esquerda deste pomar,
aonde cresce, sadia, criança, a rir e a saltar.

Tem atrás num bom alpendre grande piscina amarela
uma coisa de insuflar: 

de plástico, bem singela, daquelas de encher com ar.


E lá dentro, a criancinha, brinca na água morninha

de tanto sol apanhar,

nua, de bóia à cintura, com um balde, a chapinhar.


À direita, tenho a casa que o meu vizinho constrói.
Porque o dinheiro não sobra,

a pouco e pouco lá vai, tentando acabar a obra.

Mas, já tem um bom jardim: laranjeira, limoeiro,
morangos, diospireiro ...

cacto que dá flores vermelhas que valem p’lo ano inteiro.

 

Nós, aqui, somos assim! E eu, sempre disse pra mim:

- Gostamos todos de terra.
Se toda a gente cavasse... acabava-se co´a guerra!

Mas abaixo, no gaveto, "adega" que se transforma

em "boîte", com luz às cores,

São vizinhos divertidos, gente que gosta de flores.

Convidaram-me a espreitar. Nesse dia, por azar,

não tive dúvida alguma;
mas não podia dançar, não tinha festa nenhuma.

A "boîte" estava fechada! Era o tempo das vindimas!

Como "adega", é diferente:

Põe-se a uva engarrafada pra dar de beber à gente!

Assim é, minha marquise, clarinha e bem arejada, 

cinco metros de janelas.
Ficam no canto da casa, vejo tudo pra além delas! 

Só falei das três da frente. As que dão pra uns canteiros

são as que ficam de lado.
Vêm-se as bilhas do gaz, e o grelhador... do assado!
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10/2000
Laura B. Martins

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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2002

Poema - Diospireiro

(do meu livro «Meu universo»)

 

Debaixo dela, sobre um tapete sentada,

de grandes folhas, duma cor amarelada,

admiro a árvore ostentando um colorido

encarniçado. Sinto-me em mundo perdido!

 

Ah! Como é bela, das folhas a cor mudando ...

verde brilhante, laranja, acastanhando ...

No fim do Verão já mostram tom meio encarnado;

depois ... no chão, um amarelo esbranquiçado.

 

Árvore-mãe, perdendo as filhas desmaiadas.

Ofereceu frutas gostosas, delicadas.

Agora calma, nua, erguida, bem podada,

ela descansa. Prepara nova ninhada!

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3/2001

Laura B. Martins

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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2002

Livro 03 - Editado 06/2001 MEU UNIVERSO

( Imagem da capa )


Capa 3Cabfr.jpg
A Minha Casa - Vivenda Cabaninha - em Cabanas

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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2001

Poema - "Vazia"

(do meu livro «Pensamentos»)

 

Perdi-me na vida, não me encontro mais.
Só falo co´as plantas e com os pardais.

Também vejo melros, de bico amarelo,
têm vida simples, um viver singelo.

E eu, quero o que mais desta vida louca?
Mudar minha vida, será coisa pouca?

Não é, com certeza, um viver feliz.
Tem mais nesta vida... O coração diz!

Quero amigos simples, quero companhia
pois, no dia a dia, sinto-me VAZIA!

 

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6/2000

Laura B. Martins

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Terça-feira, 20 de Novembro de 2001

Poema - Um dia...

(Do meu livro " Pensamentos ")

 

paisagem_mar.jpg

 

Eu sou poetisa! Escrevo tudo em verso!

Tem poema triste, tem outros alegres, tem até perverso.

 

Podia ter "outros", como hoje convém.

Sabem, como eu, que a "pornografia"... vende muito bem!

 

A cabeça pensa, o coração sente,

a caneta escreve. Sei bem que só vende quem muito se atreve.

 

Mas penso que escrevo, versos eruditos.

Se vos virem lê-los, não tentam escondê-los, nem ficam aflitos.

 

Escrever normal, escrever comedido;

sem precisar estar, meu livro escondido, em algum lugar.

 

E que todos leiam, pois nada receiam,

grandes e pequenos. Sou ambiciosa, não faço por menos.

 

Mas, com a idade, e o passar dos anos,

os cabelos brancos dão-nos regalias; tornam-nos profanos.

 

É prerrogativa que nós todos temos.

Falamos de tudo que existe na vida quando envelhecemos.

 

"Experiência-vida", que a idade assumida

nos convida a expor: e assim, resumida, tem muito valor.

 

Todo escritor há-de, escrever o que pensa.

A literatura, como recompensa, não terá censura.

 

Por isso os meus temas, apesar de tudo,

vão-se encaminhando pra outros esquemas; se modernizando.

 

Por iniciativa da modernidade,

a "pornografia", com ou sem vontade, eu descrevo ... um dia!

 

Por mim, me confesso, que a  minha tendência,

pende pra "erotismo". Entre eles, me dizem: - Vai um grande abismo!

 

Acho que esse abismo, (e entender eu tento),

é mais ... uma linha que, de tão fininha, talvez leve o vento!

 

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10/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 01:40
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Sábado, 20 de Outubro de 2001

Poema - Testamento

(do meu livro «Pensamentos»)

 

O que hoje é importante,
vai acabar num instante;
quando a nossa descendência
rasgar tudo sem clemência.

 

Vou deixar em testamento,

os meus versos atrevidos;

para a família pensar,

quando entretida a rasgá-los,

que eles eram descabidos.

Não irá sobrar nenhum,

que os netos possam reler.

Não fará sentido algum,

estar gavetas a encher.

Folhas amarelecidas...

Letras e letras perdidas...

O poema era só meu.

E eu...

 

Sou alguém que morreu!

 

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8/2000

Laura B. Martins

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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2001

Poema - Ressentimento

(do meu livro «Pensamentos»)

 

É o autor ensandecido,

cuja alma não melhora;

ora que grita, ora chora...

Afirmação pessoal.

Jamais quer ser esquecido!

E escreve... escreve sobre a dor;

entrelinhas, espiritual.

Descrevendo o desamor

que lhe assalta o coração;

mas… pedindo compaixão!

 

Quer matar-se e entregar-se!

 

Quer matar, em fúria louca!

Vingar-se de coisa pouca...

Descrente, descrente!...

Sentindo-se rejeitado,

a custo cumpre o seu fado.

E mente, mente!

Espírito enfraquecido, doído...

Quer amar, ser convencido

por alma gémea diferente,

que sente, sente!...

 

AMOR!

 

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11/2000

Laura B. Martins
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2001

Poema - Prisioneira

(do meu livro «Pensamentos»)

 

Deus! Estou aprisionada na gruta dos pensamentos!

Tudo que sai são lamentos da guerra interiorizada.

 

Saio em rápida sortidas, qual soldado na trincheira;

e as balas zunem, perdidas... Volto pra trás ... Prisioneira!

 

Recuo, cega pela dor. Esbarro em paredes de pedra.

Aqui, sem sol nem calor, minha tristeza se encerra.

 

Está escuro! Tremo de frio! Meu corpo está congelando!

Lá fora, murmura um rio? Há um pássaro cantando?

 

É tarde para lutar, já não consigo iludir-me.

Dei o que tinha pra dar, o amor vejo fugir-me.

 

Sem forças pra combater e sentindo-me perdida ...

as lágrimas a correr... mais vale tirar-me a vida!

 

Jogo a última cartada. Tento a saída pelo fundo.

Avisto-a! Está gradeada e separa-me do mundo!

 

Tinha um livro de oração que em tempos guardei, algures.

Arrasto-me pelo chão... estou procurando, nenhures.

 

Rodeia-me a escuridão! Mesmo assim, eu tento lê-lo!

Busco um auxílio, um perdão... mas sem saber como obtê-lo.

 

Estão, as letras... desfocadas!?

As lentes... estão quebradas!!!

 

Milagre! É o calor que volta! Algo roça minha mão!

Algo de quente me toca! Sinto voltar-me a razão!

 

Os instintos alertados! Esp’rança?! Bate o coração!

São eles, aqui deitados! Meus bichos de estimação!

 

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11/2000

Laura B. Martins

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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2001

Poema - Palavras, pra quê?

(do meu livro «Pensamentos»)

 

Meu pensamento diverso

vagueou p’lo infinito.

Caminhou num universo

de palavras que um maldito

inventou, pra confundir

tudo aquilo que eu sentia

e precisava expandir.

A boca nada dizia;

os olhos é que falavam

quando, em relance, abarcavam

tudo que era poesia.

 

Pra quê inventar palavras,

se tanta coisa dizemos

sem pensar e sem sentir?

Deviam ser como escravas,

o imenso rol de palavras,

jamais poderem sair;

se não nos apercebemos

de todo o mal que fazemos,

só por nossa boca abrir.

 

E enquanto os olhos falavam

e as bocas se calavam

pra não gerar confusões...

deixavam-se os pensamentos

conversar com os sentimentos,

discutir co´as ilusões ...

Num mundo de emudecidos...

imperavam os sentidos,

viviam-se as sensações

do reino dos animais.

Diferentes mas iguais.

Silenciem, multidões!

 

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10/2000

Laura B. Martins

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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2001

Poema - Narcisismo

(do meu livro «Pensamentos»)

 

EU me apresento a mim mesma. Sou de ideias repentistas.

Não sou de meias medidas. Vou logo dando nas vistas.

 

E do alto do meu EU, EU gosto de apreciar

a vista daqui de cima; sem ninguém para atrapalhar.

 

Lutadora como EU, e estou sendo realista,

não há. Isso, EU lhes garanto. Mas, sou algo narcisista.

 

Em nova, EU era bonita; depois, EU era madura.

Agora, EU estou mais vivida; espiritual, muito segura.

 

EU, estou certa do que penso. EU, ciente do que valho,

jamais irei abater-me; ser da vida um rebotalho.

 

Os anos nos modificam; meu espírito prepararam.

EU perdi minha beleza; mas, MEUS POEMAS ficaram!

 

São os frutos do meu EU; MEUS POEMAS narcisistas.

E quem melhor do que EU para dar tanto nas vistas?

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2/2001

Laura B. Martins

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Domingo, 10 de Junho de 2001

Poema - Mais vale guardar... NA GAVETA!

(do meu livro «Pensamentos»)

 

Ora bolas, que negócio! Que se dane a invenção!
Para bichos ou humanos, é uma grande frustração.
Nada é como antigamente, que era tudo mais real;
dava muito mais prazer e era sempre "ao natural"!

E foi preciso uma equipa pra tal coisa discorrer!...
Estamos feitos nesta vida! Tiraram-nos o prazer
que tínhamos procriando duma forma artesanal .
Deixemos correr o tempo! Deus, castiga-os! Não faz mal!

Então, mas agora temos, ovelha que sai não sai?
Se os genes não arquivamos, nada sabemos do pai.
Nasceu o cordeiro "Doli"! E agora, pra toda a gente,
há copo de água "em vez de..."? Quem não gostar que se aguente!

E a Doli, com ar matreiro, diz ao marido carneiro
não atinar co´a razão da mãe, com ar infeliz,
ter dito que nunca quis deixá-la sem explicação
por sobrenome não ter. Era por pai não haver!

Se Deus já pôs neste mundo, homem e mulher a par,
não foi pra numa proveta os descendentes "chocar"!
Já esqueci quem inventou, uma tal monstruosidade;
mas o acto, "ao natural", no mundo nem tem idade.

Um pensamento me assalta, deixa-me na incerteza.
O que é feito das noitadas, bem passadas, em beleza?
Como é que agora fazemos "bebés dentro de proveta"?
Não usamos o que é nosso? Mais vale guardar... NA GAVETA!

Recordar era preciso, à frígida cientista,
que não somos como ela. Queremos sair da lista!
Recordar era preciso, ao cientista bandido,
que nem todos neste mundo andam como ele... "caído"!

O nascimento da Doli trouxe ao mundo inquietação.
Ver pendurado no talho, talvez guisado no tacho,
ou transformado em capacho, anunciado em leilão...
"O tal objecto caído" e fulcro desta questão!

Como em filme de terror, nos faz medo e arrepia,
pensar não servir pra nada o que antes tão bem servia (!?!?)
Para terminar o assunto, esquecendo esta saudade,
eu vou montar fabriqueta de "cintos de castidade"!
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9/2000

Laura B. Martins
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2001

Poema - Guias cortadas

(do meu livro «Pensamentos»)

 

Pudeste cortar-me as guias,

e as asas já não me servem.

Restam-me só estas vias,

comuns a todos que escrevem.

 

Teimei em manter-me viva

Enquanto escrevo em segredo

Não posso estar inactiva,

definho no meu degredo.

 

Na minha escrita revivo,

deixo que os gritos se soltem.

Tenho têmpera de ferro!

 

Eu continuo no activo.

Espero que as guias me voltem.

Nos meus poemas me enterro.

 

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4/2001

Laura B. Martins
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2001

Poema - Escrever poemas

(do meu livro «Pensamentos»)

 

Eis as minhas "ferramentas"! Servem para conquistar

sonhos, amores, tormentas; castelos construir no ar.

 

Já delas tenho falado. Já muito as enalteci.

"Lápis" de bico afiado, escreveu o que atrás escrevi!

 

Delas me tenho lembrado. A "caneta", sugeri,

"de tinta", já desusada. Com ela isto não escrevi!

 

Era "tinta permanente"; caneta que não esqueci.

Escrevia-se, antigamente... Hoje, com "esfero" escrevi!

 

"Esfero", é meia palavra, "gráfica", se eu entendi,

juntam-se pra escrever quadra do poema que escrevi!

 

E havia a "pedra"... e a "pena"... lembram anos que vivi! ...

Outra era ... anos cinquenta... com elas, muito escrevi!

 

Agora, há bonitos quadros brancos. Eu tenho um aqui!

Escreve-se lá com canetas às cores. Eu também escrevi!

 

Ainda estou a pensar... "Ferramentas" são centenas!

Se o coração não ditar, elas não escrevem poemas!

 

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11/2000

Laura B. Martins
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Sábado, 20 de Janeiro de 2001

Poema - Castigo!

(do meu livro «Pensamentos»)


Chave_porta.gif

Na prisão me colocaste,

puseste-me de castigo.

Muros altos levantaste,

quase acabaste comigo.

 

Disseste ser pra meu bem,

do mundo me proteger.

Não se faz isto a ninguém ...

assim, mais vale morrer!

 

Pra quê, cortar minha asa?

Deixa-me sair pra a rua!

Não deves fechar-me em casa,

 

sou do signo caranguejo;

volto ao ninho com a lua,

ando de lado, rastejo!

 

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4/2001

Laura B. Martins

Soc Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 16:03
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Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2001

Poema - Aquilo!

(do meu livro «Pensamentos»)

?

Ai, mas que grande chatice!

Que grande complicação!

Andas sempre atrás de mim

e eu sem te querer dar

AQUILO que as outras dão.

 

Estás sempre a ver se me apanhas

e me jogas num colchão.

Oh! Homem! Vai-te matar!

Há muito quem queira dar

AQUILO que eu não dou, não!

 

AQUILO, em ti se adivinha.

da camiseta ao calção.

Desde o vestido à calcinha,

eu até faço strip-tease

na tua imaginação.

 

Sentindo esse olhar escaldante

tirando a minha roupinha,

do casaco até à bota,

eu fico nua, em pelota,

com AQUILO nuazinha.

 

Tu não pensas noutra coisa,

confranges-me o coração.

Eu gosto do meu sossego;

quanto mais tu queres AQUILO

mais eu guardo o 'meu segredo'.

 

Eu soube, muito por alto,

que as conquistas do teu rol

se vêm acumulando;

AQUILO contabilizando

e já parece um lençol.

 

AQUILO, é conta pra ti.

Esse amor eu não concebo.

Nada tenho pra te dar,

pára de me chatear.

De amor ... isso, é um arremedo!

 

Andas a ver se me caças,

pra fazer o gosto ao dedo.

Estás a ver se me conquistas,

as jogadas 'tão previstas,

AQUILO não me dá medo.

 

Eu contigo não passeio.

E à noite, não vou sair.

Fujo do apartamento,

carro, motel, um tormento:

D'AQUILO eu quero fugir!

 

'Não sabes ver sem mexer'.

espanhol é este ditado.

AQUILO está nos teus olhos.

«Vê lá se está sossegado,

que há para aí 'disso' aos molhos!»

 

Disfarço, olhando pra rua.

Já vens pegando na mão.

Tu és bem insinuante,

se me descuido um instante,

AQUILO é a solução!

 

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3/2001

Laura B. Martins

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Segunda-feira, 1 de Janeiro de 2001

Livro 02 - Editado 05/2001 PENSAMENTOS

( Imagem da capa )


Divag.s.Arrabida.jpg
Praia da Figueirinha , Serra da Arrábida , Setúbal, Portugal

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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2000

Poema - Nosso dia a dia

(do meu livro «Divagando»)

 

O tempo ao tempo, há que dar.
Há que prosseguir em frente.
Pra quê, para trás olhar,
se a vida acaba co´a gente.

Cabelos que embranqueceram,
nem vale a pena pintar.
São desgostos que apareceram,
de tantos anos passar.

A vida se divertiu,
nosso rosto amarrotando.
A pele se dividiu
em rugas, sulcos e pranto.

O corpo mais alquebrado,
com as andanças da vida.
O espírito já cansado,
de tanta luta perdida.

E num último estertor,
inda vamos relembrar,
aquele perdido amor,
sem o poder alcançar.

A vida passa, passando...
O tempo corre, correndo...
Os dias voam, voando...
Tudo se acaba, morrendo...!

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7/2000

Laura B. Martins 

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 18:43
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Domingo, 10 de Dezembro de 2000

Poema - Minha prosa... em verso!

(do meu livro«Divagando»)

 

A minha prosa é bem simples e a palavra banal.

Eu não falo com requintes; é português, afinal!

 

Se der pra tu entenderes, e é só isso que eu desejo,

responde-me, se puderes, eu te agradeço com um beijo!

 

Ninguém é feliz de menos, nem mesmo infeliz de mais;

basta ter sol e ter vento, basta olhar para os pardais!

 

Ergue o coração pra Deus! Ergue a alma para os céus!

Revela os bons sentimentos e pisa os defeitos teus!

 

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6/2000

Laura B. Martins
Soc. Port. Autores n.º 20958

publicado por LauraBM às 18:26
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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2000

Poema - Minha prisão

(do meu livro «Divagando»)

 

Minha prisão é dourada,
mas as grilhetas me doem ...
Olhando, são invisíveis;
mas os meus pulsos corroem!

Ah! Minha amiga virtual,
que triste é vivermos sós!
Sempre o mesmo ritual...
Ninguém pra gostar de nós!...

 

E passam dias e dias...

E a vida passa correndo...
À espera de melhores dias...
Sem viver, eu vou vivendo!

 

E eu, assim vou vivendo,
tão triste e amargurada.
Os dias passam correndo.
Está minha vida passada!

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6/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 18:22
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Terça-feira, 10 de Outubro de 2000

Poema - Inexistência!

(do meu livro «Divagando»)

 

Só existo! Não sou nada!

 

Sou um farrapo da vida,

fria e descolorida,

onde a alegria murchou.

Toda a beleza acabou

e os desgostos permanecem,

mas esses já não me aquecem.

Dantes, faziam-me andar

prà frente, sempre a lutar,

contra as agruras da vida.

Era uma guerra perdida.

Poucas batalhas venci.

 

Reconheço que perdi.

 

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8/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 17:48
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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2000

Poema - Espelho meu

(do meu livro «Divagando»)

 

Sempre vivi de objectivos.

Metro a metro conquistar,

metas para alcançar,

lutar pra ficarmos vivos.

 

Hoje, o que vejo no espelho,

é figura adoentada,

com um rosto um pouco velho

e uma alma destroçada.

 

No mundo, até Deus querer,

eu vou ficando a sofrer.

Até já não sentir nada,

estar inerte, inanimada.

 

Com o espírito exaurido,

parecendo ter morrido.

deixarei lugar aos novos;

outras gentes, outros povos.

 

Agora, lutem vocês!

Conquistem vossas mercês!

Tudo que Deus quiser dar,

ninguém vai poder tirar.

 

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8/2000

Laura B. Martins 

Soc. Port. Autores n.º 20958

publicado por LauraBM às 17:39
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Domingo, 10 de Setembro de 2000

Poema - escrevo... danço... EU SOU:

(do meu livro «Divagando»)

 

Espírito jovem, romântica, enlouquecida!

Alma que expande, para além da própria vida!

É na poesia, que transcende o sofrimento,

que eu sempre encontro para a dor o linimento!

 

Escrevo poemas com música de fundo.

Escrevo o que sinto, fecho os olhos ao mundo.

Escrevo em silêncio, na paz da minha casa...

e de manhã, enquanto a lida atrasa.

 

Não escreverei poesia rebuscada!

(parecendo em dicionário pesquisada)

Os meus poemas são pra toda a gente!

(como guitarra chorando, plangente)

 

A minha escrita, lida e interpretada,

mostra a poeta sofrendo, angustiada;

expondo-se aos outros, facilmente entendível,

aos vossos pés prostrando-se, acessível.

 

Noutros momentos, horas de alegria...

esquecido o que passou, era outro dia...

Quando a vida volta a ser uma festa...

Então dancemos, ao som da minha orquestra!

                     

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11/2000

Laura B. Martins 

Soc. Port. Autores n.º 20958

publicado por LauraBM às 17:25
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Domingo, 20 de Agosto de 2000

Poema - Entre as 10 e as 12

(do meu livro«Divagando»)

 

Escrevo entre as 10 e as 11

e entre as 11 e o meio dia.

Sempre que me falta o tempo,

(pra escrever),

até sinto uma agonia!

 

Eu fico desesperada!

Será que não falta nada?

Ou faltou a inspiração?

Essa não falta, isso não!

Ando é um pouco cansada!

 

Se antes eu não tinha tempo,

p´ra toda a lida da casa ...

Já se estava mesmo a ver.

Agora tiro duas horas ...

É fatal que a coisa atrasa!

 

Sou um pouco convencida.

Gosto de fazer meus versos.

Sinto-me predestinada.

Não gostam desta poesia?

Eu não estou nada ralada ...!

 

Vou sentar-me na marquise.

Já chegou a minha hora.

Ouviram-se as badaladas.

Tenho até o meu café

mais o prato com as torradas.

 

Procuro folhas meio escritas

do poema inacabado.

Já encontrei. Estou a lê-lo!

Mas o pensamento, hoje,

deriva para outro lado.

 

Sem pensar no que escrevia,

escrevi o que não pensei.

No reino dos pensamentos,

a caneta foi rainha

onde o pensamento é rei!

 

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10/2000

Laura B. Martins
Soc. Port. Autores n.º 20958

publicado por LauraBM às 16:27
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Quinta-feira, 10 de Agosto de 2000

Poema - Enredo Tramado!

(Do meu livro " Divagando ") casabanho_conj.jpg

 

Entre os poetas, eu sou considerada,

desencardida e desenxovalhada.

Não quero guardar, pra mim, este segredo.

Vou desvendar como se trama tal enredo.

 

Contar aonde pensamentos em tropel,

me dão ideias pra poemas de cordel!

 

Eu sou poeta de casa de banho!

(Aonde os outros cantam uma canção).

Poesia empírica, limpa, bem lavada;

enquanto passo a esponja com sabão.

 

Daquele frasco ... eu tiro grandes ideias!

(É meu champô, com espuma a fervilhar!)

Eu vejo mais além, que toda a gente?

Arde em meus olhos ... e já não posso olhar!

 

E corre a água... e as lágrimas com ela...

Vão desaguar num turbilhão... d’água amarela...

Naquele ralo, que vejo meio tapado!...

Entope o duche e fica o chão...  Todo molhado!

 

E a minha esponja, beleza esburacada?

Graças ao Gel que um artista inventou,

estou despachada, em 3 minutos; bem lavada! ...

Mais uma hora pra tirar dela o champô!

 

Aperto a esponja, deito água, aperto mais,

sai sempre espuma, minutos passam fatais;

atiro com ela porque já estou atrasada,

no outro dia, vou pegar-lhe ... Está melada!

 

Minha banheira! Amiga e confidente!

De espiritualidade tão latente,

que dantes, eu podia acariciar...

quando passava a mão pra te limpar!

 

Agora, já não tens carinhos meus!

Apareceu um produto:- Benza-o Deus!

E a gente, não precisa de esfregar...

É só esguichar, até dispensa o "enxaguar"!

 

Por isto, meus poemas são singelos;

são temas livres, que eu considero belos.

Tenho a cabeça, muito acima da serra;

mas tenho os pés, bem lavados, na terra!

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11/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores n.º 20958

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Quinta-feira, 20 de Julho de 2000

Poema - Dores

(do meu livro «Divagando»

 

A DOR! Ela nos atinge, os movimentos restringe;

pode durar uma vida, vir em ondas, sacudida...

Ficar dorida ou doendo, não permitir movimento,

por uma vida ou um tempo, estar sempre lá. Um tormento!

 

DORZINHA AGUDA, picada, DOR PEQUENA, quase nada,

ou uma DOR PERMANENTE tirando a paciência à gente.

Tem DOR que faz confusão. A dor é muito complexa.

Até DOR DE CORAÇÃO. Tem até a DOR REFLEXA.

 

"Tendão de Aquiles" que inflama deixa-nos logo de cama.

DOR NOS PULSOS, informática e DOR NA PERNA, ciática.

Com muito ou pouco dinheiro, trabalhando em qualquer arte,

mesmo tendo vida boa pode vir a DOR DE ENFARTE.

 

Tem DOR se bato com as costas. Tem DOR se arranco cabelo.

DOR se bato com a cabeça ou bater com o cotovelo.

DORES nos ombros e nos braços, adormecem-nos as mãos,

se não houvesse "coluna" viveríamos mais sãos.

 

Podemos ter DOR NOS RINS porque estivemos curvados;

mas, pegando em grande peso, com a DOR ficamos dobrados.

Quanta comida se estraga... e apesar de eu parecer calma,

tem tanta gente com fome que me dá uma DOR D´ALMA.

 

E a DOR DE DENTES? Parece que nos arranca a queixada!

Se for de ouvidos, então... queremos cabeça arrancada!

Tem DOR NA PERNA, no peito, até DOR CHATA, sem jeito,

e com bastante frequência as DORES DE CONVENIÊNCIA.

 

Olhem só! DOR DE CABEÇA! Origens: são bem diversas.

Podem ser reais, ou servem pra não estarmos com conversas.

Se, por acaso, não estamos com  paciência para "queca",

a DOR DE CABEÇA vira, de repente, uma "enxaqueca". 

 

Mal cotada, mas existe a forte DOR DE CABEÇA;

tomamos um comprimido e pomos uma compressa.

Tem DORES pra todos os gostos. E as rainhas da tortura

São: a “DOR DE COTOVELO" e a de "CORNO” que é mais dura!

 

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9/2000

Laura B. Martins
Soc. Port. Autores nº 20958 

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Segunda-feira, 10 de Julho de 2000

Poema - Desabafo

(do meu livro «Divagando)

 

Quando a morte aí vier

e perguntar onde moro,

aponta logo o teu dedo

pra ver se não me demoro,

pra família não chorar;

por isso, teu dedo aponta,

depressa, sem hesitar.

Aponta pra mim e diz:

- Vai, corre! Vai lá buscar,

que ela está muito infeliz!

 

Diz que não a compreendem(...)

Se não estão bem, as pessoas,

será melhor que se ausentem

daqui, para parte incerta;

do outro lado da vida,

tem uma vida deserta.

Tem uma vida deserta? 

Dizem que é o "paraíso"(...)

Daqui me vou sem saudade,

rápido, sem dar por isso.

 

Vestida com uma esperança,

nos olhos, o mar imenso,

cabelos, vento-bonança...

emocional estabilidade.

Vou procurar um lugar,

Onde haja felicidade.

Onde haja felicidade!...

Felicidade! O que é isso?

É fuga da realidade?

Não entendo. Está omisso!

 

Está omisso na Escritura,

Santa, Sagrada, da Bíblia.

No mundo, ninguém me entende,

nem mesmo a minha família,

nem amigos, nem ninguém

poderá ver meu valor.

Todos estão muito aquém

da minha realidade,

escrever é parte da fuga,

procura da felicidade.

 

Procurar a felicidade!...

Abrir o meu coração

onde há tanto para dar

é procurar evasão

na caneta e no papel:

ela ... é minha companheira,

ele ... o amigo fiel,

quieto, na prateleira,

aceita que o vá buscar

para escrever baboseira.

 

Com ela trabalho, inquieta,

este arremedo poeta

a que a família não liga;

conversam uns com os outros,

chamam aos poetas loucos, 

e não querem que lhes diga:

- Neste meu computador,

nem tudo são parvoíces.

Meu poema está escondido  

para evitar mais chatices!

 

São tão doidos os artistas ...

vivem sua arte. É pouco?

Escrevo sobre muitos temas(...) 

Recuso-me a dar nas vistas!

Quando lhes falo em 'poemas'...

Não ligam, não me dão troco!

Não me dão troco e eu pego,

nos meus companheiros fiéis;

'pintamos tela da vida'

e eles viram 'meus pincéis'.

 

"Meus pincéis" não sabem ler ...

Lê-os tu, com atenção!

É como estares num cinema,

vendo filme sem acção.

e vendo a actriz principal

contracenando com o mundo;

numa luta desigual.

E sempre incompreendida.

Toma! - Lê os meus poemas!

Aí expus a minha vida!

 

Tudo que não sei dizer,

por palavras fica escrito

pra quando a morte vier.

A família não quer ver.

Toma! - Lê os meus poemas,

que a morte não sabe ler!

 

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9/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 15:59
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Sábado, 10 de Junho de 2000

Poema - Computador & Cª., Ilimitada

(do meu livro «Divagando»)

 

Estas rimas, são a injusta homenagem

àqueles que não fizeram sondagem;
julgando comprar só o COMPUTADOR, 

acabaram tendo... grande dissabor!

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Comprei um COMPUTADOR! E prò bicho desgraçado,
também comprei uma MESA, deixei-o bem arrumado.

Depois, foi uma CADEIRA, logo um ANTI-REFLECTOR;
para poupar os meus olhos a tanto brilho e fulgor.

Pra descarregar no ferro, (trazia junto um fiozinho);
a electricidade estática, diz que faz mal ao corpinho!...

Arredei móveis, tapetes, coloquei lá, num cantinho,
o bicho e os acompanhantes; enfim, lá lhe fiz um "ninho".

Dei-lhe um RATO pra brincar, pra ver se estava calado.
E o RATO exigiu TAPETE, e nele foi colocado!...

O safado é cheio de fios; tem a corrente ligada.
Acho que se o tratar mal, me mata electrocutada!

Todo ligado à corrente, com ar técnico e virtual.
Dá-me um choque e, de repente, vou parar ao hospital.

Está sempre a piscar pra mim, às cores, iluminado.
Vou mas é apanhar sol. Vou teclar para outro lado.

Também comprei APARELHO, prò maldito funcionar,
sem que lhe falte a corrente e a fome o possa estragar.

Mas descontente, o danado, pra minha grande arrelia,
exigiu MULHER... AMIGOS... Sofria de nostalgia!

Comprei-lhe, então, a IMPRESSORA. Disse-lhe pra ter recato.
Mas, ela come PAPEL... E o PAPEL, não é barato!

E à refeição quer beber... Quer vinho de boa pinta...
E lá vou eu a correr... Comprar tinteiro... de TINTA!

SCANNER se chama, afinal, o amigo que lhe arranjei.
Pra dar-lhe almoço e jantar Já tudo fotografei!

E DISQUETES e  DISQUINHOS... Rol de amigos sem findar.
Pra tê-los arrumadinhos, CAIXAS, tive que comprar.

O tempo, agora não chega. E assim vivo, arreliada.
O escritório mais pequeno... e ainda estou depenada!
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7/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 15:28
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Sábado, 20 de Maio de 2000

Poema - Breves instantes

(do meu livro «Divagando»)

 

Tenho meu modo de ver,

a vida, depois e antes.

Qualquer que seja a idade,

sempre estaremos no meio.

O presente, são instantes.

 

Presente, futuro, passado...

O certo é estarmos vivendo

agora, neste momento,

em que o futuro ainda é esperado

e o passado é recordado.

 

O passado é já passado,

e o futuro não chegou.
É neste tempo de espera,

que esperamos por algo,
que de repente, acabou.

 

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8/2000

Laura B. Martins

Soc.Port.Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 15:21
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Segunda-feira, 10 de Abril de 2000

Poema - As minhas ferramentas

(do meu livro «Divagando»)

 

Sem tema a escrita é difícil.

E eu, hoje, estou tão serena ...

Pra escrever, tenho que estar

imbuída de um sentido,

que faça correr a pena.

 

Raiva, amor, ódio, ternura,

desgosto, afecto, loucura ...

palavras que hoje não vêm

desemburrar-me a caneta,

que olha o papel com desdém.

 

Pus minas na  lapiseira.

Fiz café, já o bebi.

Continuo aqui sentada,

eu não estou nada inspirada,

ainda nada escrevi.

 

Esferográfica falhou.

Neste compasso de espera,

até a tinta me seca,

de pensar já estou careca

e o poema furou.

 

Procuro um apara-lápis,

sempre vou ganhando tempo.

Abrir gavetas, fechar

dá-me tempo pra pensar;

alivia meu tormento!

 

Eu escrevo seja o que for ...

Eu tenho que ser capaz!

Poema lindo, de amor ...

Poema mau, de rancor ...

Mesmo poema mordaz!

 

Chamei o cão, fiz-lhe festas.

Olhei prò gato a dormir.

Da janela, vi as flores ...

recordei os meus amores ...

Hoje, não vou conseguir!

 

Fui passear no quintal.

Voltei. Nem está muito mal!...

Olha, grande admiração!!!

O poema já está feito,

mesmo sem inspiração!

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9/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958 

publicado por LauraBM às 15:04
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Segunda-feira, 20 de Março de 2000

Poema - Árvore abatida

(Do meu livro «Divagando»)

 

 

Eliminaste um "CHORÃO"...
A minh' árvore preferida!...
Não sabes? Tem um senão;
quanto mais tu cortares nela

e desbastares os seus ramos,
mais ela se fortifica.

Eliminaste um "CHORÃO"...
A minh´árvore preferida!...
Não sabes, porque não viste
que os ramos correm p´lo chão;
tal como corre em tua mão
o sangue que te dá "vida"!

Eliminaste um "chorão"...
A minh' árvore preferida!...
E eliminaste-a, porquê???
Não a soubeste podar
ao teu jeito e ao teu gosto?
Poupavas-me este desgosto...

E agora? Diz-me! Onde está???

 

Quando abateres uma árvore ...
Olha! Ergue as mãos e reza!
Deus não te vai perdoar,
nem mesmo a Mãe Natureza!


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6/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 22:56
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Sexta-feira, 10 de Março de 2000

Poema - ARTISTA em ponto pequeno

(do meu livro «DIVAGANDO»)

 

Tenho alma de boémia,
nesta vida peregrina.
Às vezes, bem lá no fundo;
E outras, bem ao de cima.

Considero-me uma artista.
Tenho orgulho, em minhas mãos.
O tempo, curou feridas...
Mentes sãs, em corpos sãos!

De unhas curtas ou compridas,
mais ou menos arranjadas,
podem ser mãos de princesa,
podem ser mãos de criada.

A alma dita-me os versos
e as mãos, sempre a trabalhar,
colocam-nos no papel
para alguém apreciar.

Meus amigos, adoraram,
esta poesia simplista.
Poesia dar ao mundo
quem diria? SOU ARTISTA!!!
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6/2000

Laura B. Martins
Soc. Port. Autores nº 20958
publicado por LauraBM às 01:37
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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2000

Poema - ARTE... no abstracto!

(do meu livro «Pensamentos»)

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Todo o artista é meio louco. Todos têm seu saber.

Tendes cada um o vosso. O meu, saber escrever!

 

Escrever, toda a gente sabe; menos o analfabeto

que às vezes também diz versos, sem os passar ao concreto.

 

Concreto, abstracto, palavras, todas sem significado.

Colhidas durante a vida que se assemelha a um fado.

 

Fado, é tristeza! E a Arte? O artista sofredor

põe mais garra no trabalho; melhor consegue se expor.

 

Expor a sua Arte ao mundo. Mundo sem entendimento.

No poeta, a sua Arte... passa pelo sentimento.

 

Sentimento, ilusões, dor; é a Arte que nos foge.

É poema-desamor, do ontem igual a hoje.

 

Hoje, é que eu entendo a Arte! Hoje, entendo o seu poder.

Eu já tinha enlouquecido, não fora escrever e ler.

 

Ler poesias do alheio, manifestações da Arte;

no concreto ou no abstracto, aqui e em toda a parte.

 

Parte do mundo onde vivo, estou sempre buscando o céu;

pra redimir os pecados, dum pseudo-poeta: - Eu!

 

Eu! Escrevo todos os dias. Espécie de punição.

São palavras que eu obrigo, a sair do coração!

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11/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958 

publicado por LauraBM às 22:18
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2000

Poema - Altivez!

(do meu livro «DIVAGANDO»)

 

(As árvores morrem de pé)

 

arvore_altivez.gifEm pé, aguentei a vida.
Problemas, doença, morte...
Alegrias, foram poucas.
Com certeza, neste mundo,
houve gente com mais sorte.

Em pé, sofri amarguras.
Não me deixei abater.
Na vida sofri agruras,
desilusão e desgostos...
Foi sofrer, sofrer, sofrer...

Mas em pé, eu continuo.
E em pé continuarei,
até a morte me ver.
«Vale quebrar, não torcer!»
E em pé, eu morrerei.

Como as árvores, finar-me,
em pé e na vertical.
Só quando for a enterrar,
sei que me irão colocar,
no sentido horizontal.
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8/2000
Laura B. Martins
Soc. Port. Autores n.º 20958 
 

publicado por LauraBM às 23:36
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2000

Poema - A cobra

(do meu livro "Divagando")

 

 

cobra_enrolada.jpgPassaste por mim na rua. Passaste, toda dengosa.

E eu fui olhando e pensando: que cobra mais sinuosa.

Dás nas vistas, acredita, talvez pelo teu vestir;

queria ver-te sem roupa, e até poder-te despir!

 

Se falas, ou se murmuras, gostava de constatar.

Se sem esses artifícios, (que tu usas pra agradar),

nua de corpo e de alma, só consegues sibilar.

Se quando abres a boca, o que escorrer, é veneno;

as palavras engolidas, por esse teu corpo obsceno.

 

Tu és cobra em ziguezague, nesse teu jeito de andar.

Teu hobby é dar o bote, desprevenidos caçar;

um após outro, num lote, sem nunca mais acabar.

Quem te fez assim, foi ele? Aquele que foi embora

e te deixou, nessa hora, com o destino traçado?

Ou foi a maldita vida, a pobreza denegrida,

que te deixou nesse estado?

 

É que as cobras como tu, a gente não sabe bem,

se se perderam de amor se por não terem vintém.

Noutros tempos, o vintém, era muito bem cotado;

agora, já não se usa, «três vinténs», é desusado.

 

E fico a ver-te, pensando: Não invejo a tua vida!

Eu sou forte, vou andando; o meu pouco, vai chegando,

e de ti ... estou condoída!

Conselhos, não te vou dar. Também, não ias ouvi-los.

Hoje, tens carro, um andar; mas, já não sabes sonhar...

Os homens, queres agredi-los!

 

Tem perdidas, por aí, (das quais muita pena tenho),

que só pra terem dinheiro, põem em prática engenho

capaz de bradar aos céus. E os homens... São sempre os réus!

E terão elas razão? Eu não digo sim, nem não.

 

Mas, se os homens bem pensassem, e a oferta não aceitassem...

De que lhes serve uma oferta se ela é paga e sem valor?

Talvez por isso, o amor, está baixando as cotações.

E há um ditado que diz: "Vês caras, não corações".

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9/2000

Laura B. Martins

Soc. Port. Autores nº 20958

publicado por LauraBM às 17:09
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Domingo, 2 de Janeiro de 2000

Livro 01 - Editado 02/2001 DIVAGANDO-Lista de Livros

(Imagem da capa)


 SerraArrab.Troia.jpg
Serra da Arrábida - praia - Tróia (ao fundo) Setúbal - Portugal

publicado por LauraBM às 00:49
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Sábado, 1 de Janeiro de 2000

Livros Editados - LISTA

(Ver o ano em que os respectivos livros

tiveram os poemas inseridos no blog)

 

2000 - 26-01 Divagando

2001 - 28-02 Pensamentos

2002 - 30-03 Meu universo

2003 - 33-04 Pedaços da vida

2004 - 35-05 Animais de estimação

2005 - 36-06 Animais de estimação... e outros que não!

2006 - 37-07 Amigos

2007 - 38-08 Sonhando acordada

2008 - 39-09 Meu tipo inesquecível

2009 - 40-10 Ao correr da pena  

2010 - 41-11 Meu mundo "cá dentro"

2011 - 42-12 Meu mundo "lá fora"

2012 - 45-14 Animais

2013 - 48-15 Imaginação

2014 - 49-16 Subtileza? Nenhuma!

2015 - 51-17 Histórias dos amigos

2016 - 52-18 Dispersos 

publicado por LauraBM às 21:39
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